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Resumo


O polimorfismo Glu298Asp (éxon 7) do gene da enzima óxido sintase endotelial (eNOS) tem sido caracterizado como um fator de risco para hipertensão arterial e doença arterial coronariana. Estudos anteriores sugerem que esse maior risco observado nos portadores do alelo T do éxon 7 se deve à disfunção endotelial associada com a atividade reduzida da eNOS, e que o consumo agudo de azeite de oliva rico em compostos fenólicos (anti-oxidantes) melhora a disfunção endotelial pós prandial ao reduzir o estresse oxidativo e aumentar a biodisponibilidade de óxido nítrico. Entretanto, o maneira que esses fatos podem interagir em uma população com função endotelial alterada, como em portadores de Síndrome Metabólica ainda é desconhecida. O objetivo do estudo foi, portanto, avaliar se a presença do polimorfismo Glu298Asp no gene da eNOS interage com diferentes concentrações de compostos fenólicos do azeite de oliva virgem influenciando a função endotelial pós prandial. Foi encontrada de fato uma interação gene-dieta em relação ao pico máximo da hiperemia reativa pós oclusão e à concentração de NO(x). Indivíduos TT apresentaram menores valores de eNOS, NO(x) e pico máximo da hiperemia reativa pós oclusão comparados aos indivíduos GG e GT, especialmente nas medidas pós prandiais. No entanto, a maioria dessas diferenças foi atenuada quando o azeite com alta concentração de compostos fenólicos era consumido. Em síntese, em uma população com função endotelial comprometida, as concentrações de fenóis no azeite de oliva virgem da dieta interagem com o polimorfismo do éxon 7, melhorando a disfunção endotelial associada com o genótipo TT. Os benefícios do consumo sustentado de azeite de oliva são conhecidos mundialmente, e não são creditados somente aos seus ácidos graxos monoinsaturados, mas também aos seus componentes de menor proporção, como os compostos fenólicos. Esse estudo demonstrou mais um benefício: melhora da função endotelial, já alcançada em única porção, e que pode ser incorporada na prática clínica no aconselhamento de pacientes. Há de se observar, contudo, que os benefícios do consumo crônico do azeite de oliva, embora esperados, não foram demonstrados no estudo. Além disso, os resultados não podem ser generalizados e devem ser replicados em populações não caucasianas, uma vez que as frequências alélicas do polimorfismo no éxon 7 variam consideravelmente entre grupos caucasianos, africanos e asiáticos.

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